05/10/2008 19:25

VAREJÃO MELHORA A MÃO, MAS PODE SER UM NOVO RODMAN

Jornais de Ohio dão conta de que Anderson Varejão mostra progressos visíveis em seu arremesso. Fruto do árduo trabalho desta pré-temporada, que o fez mudar a mecânica de seu arremesso, deixando os braços mais próximos ao corpo.

Ao contrário da passada, quando ficou correndo pelas areias das praias capixabas, desta vez Varejão faz tudo certinho ao trabalhar com o grupo desde o começo. No ano passado, por conta do contrato que ainda não tinha sido renovado, fez tudo errado.

Varejão reconhece que a falta da pré-temporada prejudicou-o demais no campeonato passado. “Aqui, ao lado do todos, você trabalha muito mais e o pessoal faz de tudo para você progredir”, disse Varejão.

É esse mesmo o objetivo: o recondicionamento físico e a correção de erros nos fundamentos. Não sei por que isso não foi feito nas temporadas anteriores, pois Varejão sempre mostrou problemas nos arremessos.

Em quatro temporadas na NBA tem baixo aproveitamento nas bolas duplas: 48.6% por partida. Nos lances livres – outro problema grave de seu jogo –, acertou apenas 57,6%. Ruim também. Sua média de pontos: 5.9.

Agora, na pré-temporada, o resultado de seu trabalho tem impressionado a todos. Varejão acerta muito mais chutes.

Tentando minimizar o problema, o brasileiro diz que não precisa pontuar. Este trabalho, segundo ele, fica por conta de outros companheiros; leia-se LeBron James.

Mas, a meu ver, Varejão não deve abrir mão, de jeito algum, de pontuar. Não é possível que um atleta não tenha prazer em fazer uma cesta. É como um jogador de futebol ficar indiferente a um gol. Não consigo imaginar isso.

Acho que Varejão deve ter esse prazer. Claro que sim. Além disso, com desempenho sofrível ofensivamente, nos momentos críticos ele sempre estará no banco. E jogador competitivo não quer ficar de fora na hora da decisão.

Por outro lado, fico pensando cá comigo: pode ser que o camisa 17 do Cavs, ao abrir mão da pontuação, queira se transformar em um Dennis Rodman. Ora, por que não? Pode ser que sim. Mas se Varejão realmente tem esta ambição – e eu acho muito legal se ele pensa desta maneira –, ele tem que melhorar seus números dentro do garrafão.

Sua melhor performance debaixo da tabela foi no campeonato passado, quando pegou 8.3 rebotes por partida. Regular, nada além disso. Sua média em quatro anos de liga, no entanto, é mais baixa: 6.2

Num comparativo, Rodman teve, ao longo de suas 14 temporadas na NBA, média de 13.1 “boards” por jogo. Seu desempenho maior foi no campeonato 91/92, com a camisa 10 do Detroit, quando apanhou escandalosos 18.7 rebotes de média!

Mas “The Worm” (o verme, como é conhecido) teve outros desempenhos notáveis, como no ano seguinte, quando apanhou 18.3. Em 93/94 foram 17.3; em 94/95, 16.8; 95/96, 14.9; 96/97, 16.1; 97/98, 15.0; 99/00, 14.3.

Números, como pode-se ver, bem longe dos que Varejão mostrou até agora.

Fica a pergunta: o que é mais fácil para Varejão, melhorar a pontuação ou apanhar mais rebotes?

Abaixo, um vídeo com uma enterrada de Varejão na cara de Amaré Stoudemire. Duvido que alguém me convença que um rebote é mais emocionante do que uma cravada.



De qualquer maneira, a escolha é dele.
enviada por Fábio Sormani






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Perfil do Colunista

Fábio Sormani
Paulista de Araraquara, e agudense e bauruense de coração, trabalha há 30 anos como jornalista, formado que é pela Fundação Cásper Líbero. Direcionou sua carreira para o esporte, embora tenha atuado em outras editorias. Fez parte de importantes veículos de comunicação, como a revista "Placar", o jornal "Folha de S.Paulo", TVs Record e Bandeirantes, os canais a cabo ESPN Brasil, SporTV e Bandsports, Rádio Bandeirantes e Rádio Record, onde trabalha atualmente. Criou a coluna "Basquete no Mundo", na "Folha de S.Paulo", e os programas "Por Dentro do Basquete", na ESPN Brasil, e "Basketmania", no SporTV. Cobriu três finais da NBA, quatro "All-Star Weekend", três "Final Four", as Olimpíadas de Atlanta e Sydney e a Copa do Mundo de Futebol na Alemanha. Viu Michael Jordan, ao vivo, em 16 ocasiões. Volta ao iG depois de aqui ter passado no começo desta década.

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